Arquivo do mês: fevereiro 2011

1/4 das mulheres sofre abusos no parto

A pesquisa Mulheres Brasileiras e Gênero no Espaço Público e Privado, feita pela Fundação Perseu Abramo, revela que 25% das mulheres que são atendidas para parto em hospitais públicos ou privados reclamam de abusos.  A pesquisa investiga a mulher na sociedade sob diversos aspectos, como trabalho e sexualidade. 2.365 mulheres e 1.181 homens foram ouvidos em 25 estados.

Segue o trecho específico sobre os abusos no parto:
Em resposta a diferentes formas de violência institucional, no entanto, uma em cada quatro (25%) relatou ter sofrido, na hora do parto, ao menos uma entre 10 modalidades de violência sugeridas – com destaque para exame de toque doloroso (10%), negativa para alívio da dor (10%), não explicação para procedimentos adotados (9%), gritos de profissionais ao ser atendida (9%), negativa de atendimento (8%) e xingamentos ou humilhações (7%).

Ainda cerca de uma em cada quatro (23%) ouviu de algum profissional algo como:
 “não chora que ano eu vem você está aqui de novo” (15%);
 “na hora de fazer não chorou, não chamou a mamãe” (14%);
 “se gritar eu paro e não vou te atender” (6%);
 “se ficar gritando vai fazer mal pro neném, ele vai nascer surdo” (5%).”

Anúncios

Amor e violência

Fiquei animada ao saber essa semana do filme Amor? previsto para estrear em 15 de abril. O cineasta João Jardim – que também dirigiu o ótimo documentário Janela da Alma – conversou com mulheres e homens que vivem histórias de amor permeadas por violência. Para não mostrar o rosto dessas pessoas, optou por filmar suas histórias reais com atores contratados. O filme tem no elenco Lilia Cabral, Julia Lemmertz, Eduardo Moscovis e Ângelo Antônio, entre outros.

A Cinderela "original"

E já que falamos de Cinderela, a hora é boa para chamar atenção para os desenhos animados da Disney. Nós hoje conhecemos mais as versões de contos de fadas adaptadas para o cinema que as antigas, recolhidas por gente como os rimãos Grimm em meio à tradição oral popular. Na Disney, especialmente nos filmes mais antigos, as princesas costumam projetos de boas esposas e donas de casa. A Cinderela da Disney virou uma moça que lava, passa e cozinha sonhando o dia todo com o príncipe encantado (e é essa Cinderela que as autoras do livro do post abaixo quiseram combater). A Cinderela dos irmãos Grimm não é bem assim. Ela inclusive foge do príncipe várias vezes. Quem se interessar encontra nesse blog a versão dos Grimm.

Cinderela sem príncipe

Demorei pra saber desse livro, mas nunca é tarde para indicar. A Editora Planeta lançou para crianças A Cinderela Mudou de Ideia, livro de Nunila López com ilustrações de Myriam Serra. A ideia é desconstruir o mito de que, para ser feliz, uma mulher precisa de um príncipe encantado. Eu ainda não li, mas já gostei do ponto de partida. Porque é claro que é fantástico ter um bom relacionamento com alguém. Mas não se deve depender disso, ao contrário do que é costume ensinar para as meninas desde cedo. No site da editora, dá pra se cadastrar e baixar o primeiro capítulo grátis.

Maquiagem antiidade para crianças

Está prometida para chegar às prateleiras americanas hoje a controversa linha de maquiagem para crianças do Wall-Mart, a Geo Girl. É feita para meninas de 8 a 12 anos, e tem uma série de itens como batom, blush, rímel etc. etc. Até aí, nenhuma novidade. Quem nunca viu maquiagem pra criança para vender? Com nomes das princesas dos filmes e tal? Mas a Geo Girl tem duas novidades. A boa é que a marca diz ser feita com produtos naturais, que não fazem mal para as meninas. A ruim, que está causando indignação pelo mundo, é o fato de alguns de seus cremes conterem antioxidantes, conhecidos por retardarem o envelhecimento. Ai ai ai.

Vídeo da Mauritânia

No youtube há uma ótima reportagem, da Al Jazeera, sobre as mulheres da Mauritânia forçadas a comer para engordar. Está em inglês e em duas partes, de 10 minutos cada.

O outro lado da anorexia

E já que falei de anorexia no último post, acho interessante agora lembrar do caso das mulheres da Mauritânia, na África. Elas sofrem o efeito contrário da maioria das ocidentais: por lá quanto mais acima do peso você estiver, melhor. Quando as mulheres vão casar,  passam por um processo de engorda, chamado de “leblouh”.  Uma boa reportagem (em inglês) sobre isso, saiu um tempo atrás na Marie Claire.  As mulheres – muitas vezes ainda meninas – são obrigadas a ingerir até 16 mil calorias por dia. Se não comem, podem apanhar das mais velhas. Se vomitam, podem ter que comer seu próprio vômito. Para os homens da lá, mulheres gordas são exemplo de riqueza.