Arquivo do mês: maio 2011

Ninguém queimou sutiãs


Você sabia que ninguém efetivamente queimou sutiãs na famosa manifestação feminista de 1968? Fiquei passada ao ler sobre o evento esses dias. Ao que tudo indica, não houve nem um único sutiã queimado no protesto que ficou famoso no dia 7 de setembro de 1968, quando 400 mulheres do Woman´s Liberation Movement protestaram em Atlantic City contra o concurso Miss America.
Elas jogaram no lixo maquiagens, cílios postíços, sprays, sapatos e talvez alguns sutiãs. Foi só isso – um protesto contra a comercialização da beleza, contra a opressão dos padrões de beleza. E aí inventaram a lenda de que elas estavam queimando sutiãs, o que estimulou outros movimentos feministas a adotarem a ideia.

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A arte política de Shirin Neshat

Minha amiga Tina, super cool hunter, me falou dessa artista persa, a Shirin Neshat. Ela nasceu no Irã, mas tem vivido exilada por conta própria nos Estados Unidos pela maior parte da sua vida adulta. Ela faz um trabalho fotográfico e multimídia que mostra o conflito entre as culturas ocidental e oriental, tentando entender as mulheres muçuilmanas e sua idendidade. Eu não canso de olhas as imagens dela, são tão fortes e políticas que dói.

Ela também é diretora do filme Womem Without Men – que fala das mulheres que tentam escapar da opressão no Teerã. Shirin ganhou o prêmio de melhor diretora no festival de Veneza com ele. Veja o trailer:

      Nesse outro video do Ted, Shirin fala da vida no exílio, de sua busca pela identidade das mulheres iranianas fora do Irã, do conceito ruim que se faz de seu país no ocidente – e lembra que o Irã já teve um governo democrático, tirado do poder pelos Estados Unidos.

Salário das mulheres é de 20% a 40% menor que dos homens

Tá pipocando por : salário das mulheres continua 25% menor que dos homens, segundo o IBGE. José Roberto de Toledo fez uma análise ainda pior nesse texto (valeu Carol! ). No caso das mulheres que estudaram tanto quanto os homens, quando ambos têm nível universitário, elas ganham em média 41% a menos. Ele também ressalta a dificuldade das mulheres em chegarem aos cargos altos nas empresas.
Veja a tabela das diferenças:

Mulheres desafiam os costumes para dirigir na Arábia Saudita

Um protesto de mulheres na Arábia Saudita vai exigir no dia 17 de junho um direito que pra nós soa até bem bizarro: elas querem poder dirigir.  Algumas mulheres se juntaram e lançaram no Facebook e no Twiter a campanha “I will drive starting June 17” (Eu vou dirigir a partir do dia 17 de junho). Diz a Folha que a página do evento chegou a ter 6 mil membros. Mas agora não consigo encontrá-la no Facebook, parece ter saído do ar. Algumas outras páginas com esse nome aparecem, mas com poucos membros. É emocionante. Tomara que dê certo e que as mulheres sauditas lutem cada vez mais por seus direitos.

 Achei esse vídeo falando do assunto, da CNN:

O manifesto das mulheres diz o seguinte (foi escrito em árabe, traduzi do inglês):

“Nós procuramos por leis que proibem as mulheres na Arábia Saudita de exercerem seu direito de dirigir seu próprio veículo mas não encontramos nada que aponte para tal [proibição] nas leis de tráfego sauditas. Assim, o que nós vamos fazer não pode ser considerado uma violação da lei. Então nós decidimos que começando na sexta-feira, dia 15 do Rajab, 1432, que corresponde ao dia 17 de junho de 2011:

– Toda mulher que possua uma carteira de motorista internacional ou uma de outro país vai começar a dirigir seu próprio carro seja para chegar ao seu local de trabalho, deixar seus filhos na escola ou atender suas necessidades diárias.
– Nós vamos tirar fotos e filmar a nós próprias dirigindo nosso carros e postar na nossa página do Facebook para apoiar nossa causa: “eu vou dirigir a partir do dia 17 de junho”
– Nós vamos aderir ao código de vestimenta (hijab) enquanto dirigimos.
– Nós vamos obedecer as leis do trânsito e não vamos desafiar as autoridades se formos paradas para questionamentos.
– Se formos obrigadas a parar, vamos firmemente demandar ser informadas sobre quais leis estão sendo violadas. Até agora não há uma lei de trânsito que proíba mulheres de dirigirem seu próprio veículo.
– Nós não temos objetivos destrutivos e não vamos nos reunir ou protestar, nem vamos levantar slogans. Nós não temos líderes nem conspiradores internacionais. Nós somos patriotas e amamos esse país e não vamos aceitar que isso afete sua segurança. O que está envolvido [nesse assunto] é que nós vamos começar a exercer nossos direitos legítimos.
= Nós não vamos parar de exercer esse direito até que encontrem uma solução para esse caso. Nós falamos em diversas ocasições e ninguém nos ouviu. A hora das soluções chegou. Nós queremos escolas de direção para mulheres. Nós queremos que as motoristas sauditas tenham carteira de motorista como em todos os outros países do mundo. Nós queremos viver como cidadãs de maneira completa sem a humilhação e a degradação a que nós somos [atualmente] sujeitas todos os dias por causa da nossa dependência de um motorista.
– Nós vamos lançar uma campanha voluntária para oferecer aulas de motorista grátis para mulheres começando na data que esse anúncio está sendo feito e gostaríamos que todos nos apoiassem

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Aplicativo adiciona namoradas no facebook

Vi esse vídeo no blog do Carlos Merigo e achei muito curioso. A Axe fez uma campanha publicitária na Tunísia lançando um novo aplicativo para facebook.  O cara que usasse o aplicativo ganhava uma série de namoradas no seu status, uma brincadeira pra dizer que ele é um puta garanhão. Aparecia assim “fulano de tal está em um relacionamento com fulaninha e mais 300 mulheres”. Pra você ver como as diferenças do que se pensa sobre homens e mulheres chegam às propagandas. Imagine um aplicativo que dissesse “Carolina está em um relacionamento com Joãozinho e mais 200 homens”. Ia pegar mal.

O que as garotas aprendem com os games

A Wired publicou uma matéria falando das “lições ridículas” que as garotas aprendem com os games feitos exclusivamente para elas.  Tracey John se pergunta se os games fofos não podem ser tão ou mais preocupantes para os pais que aqueles que incitam violência e agressividade. Ela analisa alguns jogos criados para meninas de 8 a 12 anos – desenhados para fazê-las se tornar pequenas Barbies, modelos ou experts em moda e beleza. Vários estão disponíveis no Brasil. Escolhi só o top 3, pra não cansar a beleza de todo mundo:

The Clique: Diss and Make Up
 A jogadora é uma nova estudante em uma escola. Ela tem de conseguir chegar ao Pretty Comittee (o Comitê das Bonitas). Para isso, usar “fofoca, moda, e esperteza” . Coitadas das que não conseguirem.

My Boyfriend
As jogadoras escolhem roupas e maquiagem para sair, se exercitar e fofocar entre si enquanto tentam criar “a história de amor de seus sonhos”. Elas têm de escolher entre 5 garotos e tentar encontrar o “amor verdadeiro” em um deles. Nenhuma mulher pode ser completa sem um homem, é o que diz esse jogo.

 Princess in Love
Se você tinha dúvidas sobre a necessidade de um homem na vida de uma mulher, o Princess in Love está aí pra garantir que só o amor salva (e que é preciso muito trabalho para achá-lo) A ideia é vestir a princesa Isabella com roupas e acessórios, e ajudá-la a aprender boas maneiras e passos de dança. Quando ela conseguir fazer tudo isso, ela encontra o príncipe encantado.

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Como nem tudo é de se jogar fora, a Wired identificou um jogo que parece bem legal para garotas.  O The Daring Game for Girls leva as meninas a fazer atividades como missões de espionagem, exploração em caverna, basquete etc. Também fala de mulheres famosas na história, e testa os conhecimentos com quizzes. As jogadoras que acumulam mérito nas atividades ganham viagens para Africa, Amazônia etc. Nada estereotipado, encoraja as meninas a irem atrás de aventuras. Mas será que alguém vai querer jogar?

Mãe do botox perde a guarda da filha

A mãe que injetava botox no rosto da filha de 8 anos que eu falei aqui perdeu a guarda da filha hoje nos Estados Unidos. Disseram os médicos que é muito incomum esse tipo de aplicação em crianças. Disseram os responsáveis pelos concursos de beleza infantil que isso também é muito incomum nos concursos. Sei não, hein?