Arquivo da categoria: Cinema

Geena Davis fala sobre as mulheres no cinema

        Sem querer encontrei um outro vídeo sensacional (para quem tem mais paciência, esse leva uns 20 minutos) sobre as personagens femininas no cinema, dessa vez focado no cinema ínfantil, que vai além do Princípio Smurfette. É da atriz Geena Davis, famosa por Thelma e Louise.  
          Com sua fundação See Jane, Geena conseguiu levantar fundos para estudar os top 100 filmes lançados de 1990 a 2005, daqueles liberados para qualquer faixa etária ou seja, destinados ao público infantil.

As conclusões dela:
“Três de cada quatro personagens nos filmes para todas as faixas etárias são homens (…) Dos personagens mostrados em grupos, só 17% são mulheres, e, das poucas mulheres que aparecem nesses filmes, a maioria é altamente estereotipada. E, por sinal, durante esse período de 15 anos, não houve nenhum avanço na questão do percentual de personagens femininos. Então você tem de pensar: “Que mensagem a nossa cultura passa para as crianças? Que mulheres e garotas valem menos, e que elas têm um valor diferente que homens e garotos”.

Chapeuzinho vermelho e a sexualidade das meninas (1 de 2)

          Estreia quarta-feira uma nova versão do conto clássico Chapeuzinho Vermelho para o cinema. O filme é dirigido por Catherine Hardwicke (de Crepúsculo) e estrelado por Amanda Seyfried (de Garotas Malvadas e Mamma Mia!).

          Não achei uma única crítica positiva ao filme, o que até era de se esperar.  Mas há um ponto interessante: na livre adaptação do conto, parece que a Chapeuzinho vive um triângulo amoroso com um lenhador e um ferreiro. Pra quem não sabe ao certo da história da Chapeuzinho pode soar super “sexual, ousado e sombrio”, como eu li por aí.
         Na verdade, Hollywood está sendo é bem careta.  O conto da Chapeuzinho (que tem versões de Perrault e dos irmãos Grimm) é muito estudado por psicanalistas e um pouco por historiadores (leia aqui o texto do psicanalista Bruno Bettlelheim ou aqui o do historiador Robert Darnton, que têm pontos de vista praticamente opostos). O conto desperta interesse porque trata diretamente da sexualidade das garotas (o lobo come a menina, afinal!).
         Quem for assistir, pode fazer o exercício de tentar comparar a sexualidade no filme com uma de suas versões em conto. Essa é uma, antiga, como contada na França do século XVIII:

Certo dia, a mãe de uma menina mandou que ela levasse um pouco de pão e de leite para sua avó. Quando a menina ia caminhando pela floresta, um lobo aproximou-se e perguntou-lhe para onde se dirigia.

– Para a casa de vovó – ela respondeu.
– Por que caminho você vai, o dos alfinetes ou o das agulhas?
– O das agulhas.
Então o lobo seguiu pelo caminho dos alfinetes e chegou primeiro à casa. Matou a avó, despejou seu sangue numa garrafa e cortou sua carne em fatias, colocando tudo numa travessa. Depois, vestiu sua roupa de dormir e ficou deitado na cama, à espera.
Pam, pam.
– Entre, querida.
– Olá, vovó. Trouxe para a senhora um pouco de pão e de leite.
– Sirva-se também de alguma coisa, minha querida. Há carne o vinho na copa.
A menina comeu o que lhe era oferecido e, enquanto o fazia, um gatinho disse: “menina perdida! Comer a carne e beber o sangue de sua avó!”
Então, o lobo disse:
– Tire a roupa e deite-se na cama comigo.
– Onde ponho meu avental?
– Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dele.
Para cada peça de roupa – corpete, saia, anágua e meias a menina fazia a mesma pergunta. E, a cada vez, o lobo respondia:
– Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dela.
Quando a menina se deitou na cama, disse:
– Ah, vovó! Como você é peluda!
– É para me manter mais aquecida, querida.
– Ah, vovó! Que ombros largos você tem!
– É para carregar melhor a lenha, querida.
– Ah, vovó! Como são compridas as suas unhas!
– É para me coçar melhor, querida.
– Ah, vovó! Que dentes grandes você tem!
– É para comer melhor você, querida.
E ele a devorou.

Filmes retratam tipos diferentes de mães

Ainda nem é o mês das mães. Mas dois filmes, um em cartaz, outro que estreia sexta, focam nelas.

O primeiro é Feliz que Minha Mãe Esteja Viva que trata de uma questão muito pertinente: será que todas as mães têm instinto materno? O filme conta a história de dois irmãos colocados para adoção ainda muito pequenos. Eles descobrem a verdadeira mãe, mas logo vêem que ela não se sente à vontade nesse papel. Em São Paulo está em cartaz no Espaço Unibanco e no Reserva Cultural.

O outro é As Mães de Chico Xavier. Último filme da trilogia super bem sucedida em termos de bilheteria sobre o famoso médium brasileiro. Conta a trajetória de três mães que passaram por traumas pessoais – como a morte de um filho, por exemplo – e pedem ajuda a Chico Xavier. É quase um contraponto ao outro filme, visto por esse lado. São histórias baseadas em fatos reais. Tem estreia nacional sexta-feira.

Amor e violência

Fiquei animada ao saber essa semana do filme Amor? previsto para estrear em 15 de abril. O cineasta João Jardim – que também dirigiu o ótimo documentário Janela da Alma – conversou com mulheres e homens que vivem histórias de amor permeadas por violência. Para não mostrar o rosto dessas pessoas, optou por filmar suas histórias reais com atores contratados. O filme tem no elenco Lilia Cabral, Julia Lemmertz, Eduardo Moscovis e Ângelo Antônio, entre outros.