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A arte política de Shirin Neshat

Minha amiga Tina, super cool hunter, me falou dessa artista persa, a Shirin Neshat. Ela nasceu no Irã, mas tem vivido exilada por conta própria nos Estados Unidos pela maior parte da sua vida adulta. Ela faz um trabalho fotográfico e multimídia que mostra o conflito entre as culturas ocidental e oriental, tentando entender as mulheres muçuilmanas e sua idendidade. Eu não canso de olhas as imagens dela, são tão fortes e políticas que dói.

Ela também é diretora do filme Womem Without Men – que fala das mulheres que tentam escapar da opressão no Teerã. Shirin ganhou o prêmio de melhor diretora no festival de Veneza com ele. Veja o trailer:

      Nesse outro video do Ted, Shirin fala da vida no exílio, de sua busca pela identidade das mulheres iranianas fora do Irã, do conceito ruim que se faz de seu país no ocidente – e lembra que o Irã já teve um governo democrático, tirado do poder pelos Estados Unidos.

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Bela Adormecida é prostituta de luxo em filme

         Os contos de fadas continuam invadindo o cinema. Bela Adormecida é a história  da vez (obrigada Tina Lombardi pela dica!). O filme parece muito mais interessante que o de Chapeuzinho Vermelho que falei aqui. É dirigido pela australiana Julia Leigh e fala do mundo das mulheres na prostituição de luxo. Lucy (Emily Browning) é uma estudante que entra para uma casa de prostituição onde as mulheres são drogadas e dormem enquanto os clientes dormem com elas. Sleeping Beauty está na competição principal do festival de Cannes, que acontece de 11 a 22 de maio. O trailer oficial está abaixo, ainda sem legendas.
          Me lembrou de uma das mais antigas versões do conto, publicada em 1634 por Giambattista Basile. Nela, chamada “O Sol, a Lua e Talia”, o príncipe (que já é casado) dorme com a Bela Adormecida sem acordá-la e a abandona grávida.  Passa muito tempo até que ele se lembre do que aconteceu. Ela só acorda quando seus filhos gêmeos recém-nascidos, ajudados por fadas, chupam o dedo dela onde estava um pedaço de linho. Dá pra ler aqui (em inglês).

Chapeuzinho vermelho e a sexualidade das meninas (2 de 2)

Faltou só dizer que existem versões realmente ousadas de Chapeuzinho Vermelho já feitas. A mais famosa é de Angela Carter, ainda à venda no Brasil no livro O Quarto do Barba-Azul. Carter faz uma leitura de Chapeuzinho nada moralista: ela dorme com o lobo porque cede aos seus próprios desejos.  Se quiser ver na tela, o filme A Companhia dos Lobos, dirigido por Neil Jordan em 1984, é uma versão de dois contos do livro.