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Meninos e meninas em escolas separadas?

        
Hoje na Folha o articulista Helio Schwartsman discute se a divisão dos sexos na infância poderia ser melhor para o aprendizado das crianças. Ele fala do livro “Why Gender Matters“, do médico Leonard Sax, que faz uma “defesa entusiasmada da separação por sexo nas escolas”, apesar de ser conhecidamente conservador.
 Ele diz que há evidências científicas que comprovam que o sistema educacional prejudica ambos os sexos ao manter as classes com alunos e alunas. Isso porque meninas amadurecem áreas do cérebro antes que os meninos em alguns casos, como a ascrita, e em outros casos, como a matemática, só depois deles.  O artigo fala que as escolas separadas por sexo nos EUA passaram de 11, em 2002, para 540, em 2009. No Brasil, a Escola do Bosque, de Curitiba, é uma das poucas a separar as crianças.
Pode ser que as pesquisas descubram que seria mais fácil para as crianças desenvolverem matemática e letras separadas. Mas o que aprenderiam sobre seus papéis na sociedade nesses casos?

Chapeuzinho vermelho e a sexualidade das meninas (2 de 2)

Faltou só dizer que existem versões realmente ousadas de Chapeuzinho Vermelho já feitas. A mais famosa é de Angela Carter, ainda à venda no Brasil no livro O Quarto do Barba-Azul. Carter faz uma leitura de Chapeuzinho nada moralista: ela dorme com o lobo porque cede aos seus próprios desejos.  Se quiser ver na tela, o filme A Companhia dos Lobos, dirigido por Neil Jordan em 1984, é uma versão de dois contos do livro.

A França e o véu das muçulmanas

Segunda-feira a França promulgou a lei que proíbe no país o uso do véu nigab, que cobre o rosto parcialmente, ou a burca,  que cobre até os olhos com uma tela.  Mulheres que desafiam a lei estão tendo de pagar multa de 140 euros (cerca de R$ 343). Li que 57% dos franceses apoiam a lei.
Na minha opinião, é tão ridículo como obrigar evangélicas a cortar o cabelo e usar calça.  Eu também não gosto de burca. Também acho que as mulheres são subjugadas e submissas no que eu conheço da religião islâmica. Assim como acho que as mulheres evangélicas não têm de deixar o cabelo grande e vestir saia todo dia. Eu não gosto de religiões que delimitem meu modo de vestir. Mas também não gosto de governos que façam a mesma coisa.

Me lembrei de um livro que li chamado O Rosto Atrás do Véu, que conta a história de algumas mulheres americanas muçulmanas que seguiram na religião depois do 11 de setembro, especialmente aquelas que se converteram ao longo da vida. Muito interessante para esse debate. Nunca me esqueci que uma delas falava sobre como as mulheres não são muito mais livres no nosso modelo de sociedade que no delas, já que vivem sob a pressão de serem magras, lindas e boas de cama – e de como a religião  as protege disso. Nunca me convenceu de que o véu é uma boa opção. Mas me fez questionar fortemente os valores ocidentais.

Polêmico livro de Amy Chua chega ao Brasil

Já está à venda no Brasil, pela Editora Intrínseca, o livro Grito de Guerra da Mãe-Tigre, de Amy Chua, uma das maiores polêmicas dos últimos tempos. Chua é americana e descendente de chineses. Ela mostra no livro como criou suas filhas repetindo uma tradicional – e por vezes chocante – disciplina chinesa. Ela tentou controlar estritamente a vida das filhas, as impedia de fazer atividades simples como “aulas de teatro na escola” e as obrigava a longas horas de aulas de piano e violino. Ela as chamava de “desgraça” quando traziam para casa notas abaixo de 10.
         Chua contradiz tudo o que ocidentalmente se acredita que seja uma boa educação. Se você der um google no nome do livro, vai encontrar enxurradas de críticas pra todo lado, de estudos científicos dizendo que isso só faz mal para as crianças, que ela está criando monstros preparados para passar no vestibular e não pessoas felizes.
         Sou sempre contra o exagero, então concordo com boa parte disso – e confesso que ainda não li o livro para saber ao certo se Chua faz um mea culpa irônico de seus erros como mãe ou um manual para a melhor educação infantil.
          Mas talvez a matéria mais inteligente que eu li a esse respeito foi essa, capa da revista Time (quem consegue ler em inglês, take the time). Será que um livro chocante como esse não deveria servir para nos questionar, por outro lado, se a nossa educação está funcionando? Ok, a educação de Amy é dura demais. Mas será que a nossa serve de modelo? Será que os filhos que a nossa sociedade, do jeito ocidental, com os valores ocidentais, são mais felizes?

Cinderela sem príncipe

Demorei pra saber desse livro, mas nunca é tarde para indicar. A Editora Planeta lançou para crianças A Cinderela Mudou de Ideia, livro de Nunila López com ilustrações de Myriam Serra. A ideia é desconstruir o mito de que, para ser feliz, uma mulher precisa de um príncipe encantado. Eu ainda não li, mas já gostei do ponto de partida. Porque é claro que é fantástico ter um bom relacionamento com alguém. Mas não se deve depender disso, ao contrário do que é costume ensinar para as meninas desde cedo. No site da editora, dá pra se cadastrar e baixar o primeiro capítulo grátis.

Mais números

Vida, associação que fala de mulheres na literatura, publicou uma pesquisa que nos mostra que não mudou muita coisa para as mulheres no mundo das artes (eu tinha perguntado sobre isso no post sobre as Guerrilla Girls). A conclusão: os números de críticas escritas sobre livros de mulheres não refletem o número de livros que estão sendo publicados por mulheres. A New Yorker é um exemplo, mas no site há muitos outros: 

As outras

Elizabeth Abbot lançou no final do ano Mistresses: A History of the Other Woman (Amantes: uma História da Outra Mulher). Ela analisa e reconta a história de 80 amantes famosas historicamente e tenta entender o que faz uma mulher viver às margens da vida de um homem. O livro não existe ainda em português, mas quem se interessar o encontra na Amazon.