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A França e o véu das muçulmanas

Segunda-feira a França promulgou a lei que proíbe no país o uso do véu nigab, que cobre o rosto parcialmente, ou a burca,  que cobre até os olhos com uma tela.  Mulheres que desafiam a lei estão tendo de pagar multa de 140 euros (cerca de R$ 343). Li que 57% dos franceses apoiam a lei.
Na minha opinião, é tão ridículo como obrigar evangélicas a cortar o cabelo e usar calça.  Eu também não gosto de burca. Também acho que as mulheres são subjugadas e submissas no que eu conheço da religião islâmica. Assim como acho que as mulheres evangélicas não têm de deixar o cabelo grande e vestir saia todo dia. Eu não gosto de religiões que delimitem meu modo de vestir. Mas também não gosto de governos que façam a mesma coisa.

Me lembrei de um livro que li chamado O Rosto Atrás do Véu, que conta a história de algumas mulheres americanas muçulmanas que seguiram na religião depois do 11 de setembro, especialmente aquelas que se converteram ao longo da vida. Muito interessante para esse debate. Nunca me esqueci que uma delas falava sobre como as mulheres não são muito mais livres no nosso modelo de sociedade que no delas, já que vivem sob a pressão de serem magras, lindas e boas de cama – e de como a religião  as protege disso. Nunca me convenceu de que o véu é uma boa opção. Mas me fez questionar fortemente os valores ocidentais.

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O que fazemos do dia da mulher

Eu costumava ser “contra” o dia internacional da mulher. Se me perguntassem, eu dizia que temos um dia para as mulheres porque todos os outros são dos homens.

Achava que era um dia que só servia para te empurrarem mais produtos de beleza, mais tratamentos estéticos. Para reforçar o peso dos padrões de feminilidade impostos sobre as mulheres. Sempre achei que se declara o amor pelas mulheres por um dia para que no resto do ano elas continuem acumulando, sem reclamar, as funções de doméstica, mãe, profissional, top model e rainha do sexo. 

Mas depois entendi melhor como as coisas funcionam na sociedade. O capitalismo mercantiliza tudo, esvazia tudo. Mas achar que o dia das mulheres não tem importância porque as empresas se aproveitam dele para vender mais é como achar que Che Guevara perdeu seu valor político depois que seu rosto começou a aparecer estampado em camisetas.

O dia das mulheres nasceu em 1910, sugerido pela alemã Clara Zetkin durante o 2º Congresso Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhague. Foi criado para celebrar a luta e as conquistas das mulheres, em especial o direito ao voto. E se você procurar, vai encontrar muita gente que continua usando esse dia com seu propósito inicial. Quem, em 8 de março, ainda relembra e discute a situação da mulher no mundo, suas conquistas e os problemas que ainda terá de enfrentar.

No final das contas, não há como se controlar a tendência do mercado de esvaziar o significado das coisas. Mas você p0de, para começar, tentar não se render a isso. Por outro lado, não há motivo para fazer como eu fiz antes: virar as costas para a importância histórica e política dessas conquistas. O dia das mulheres está aí, é um marco importante das feministas do passado. E você pode escolher o que quer fazer com ele.