Arquivo da categoria: TV

Dr Pellini e o cabelo das mulheres

         Quanto mais eu presto atenção na mídia por causa desse blog, mais me impressiona a falta de noção das pessoas ao falar das mulheres. Ontem, no CQC (programa no qual, por falar nisso, Marcelo Tas mandou muito bem dando uma lição ao deputado Bolsonaro ao mostrar que tem uma filha homossexual e que se orgulha dela), o Top 5 me revelou mais uma pérola.
          O impressionante Dr. Pellini, que dá seus maravilhosos pitacos no programa Mulheres, da Gazeta, disse que existem “dois tipos de mulheres, a de cabelo bom e a de cabelo ruim”. E que as de cabelo bom podem transar quando querem, e as de cabelo ruim precisam “se programar”. Ficou em segundo lugar. Incrível uma declaração dessa não causar tanta indignação quanto as racistas e homofóbicas do Bolsonaro.

Bombril ensina a “adestrar” os homens

Mal eu postei a história da “neura da limpeza”, vi um novo comercial que vale ser olhado com atenção. A Bombril está fazendo a campanha das “mulheres evoluídas” na TV. São comerciais com Marisa Orth, Dani Calabresa e Monica Iozzi para mostrar como as mulheres supostamente evoluídas podem “adestrar” seus homens para o serviço doméstico.
É uma das campanhas mais controversas dos últimos tempos e se você visitar a própria página dela no youtube, vai encontrar uma enxurrada de críticas de homens e de mulheres.  No site da campanha, a mulher pode colocar foto do marido em um boneco que faz faxina e está sendo pisado pela mulher e um controle pra forçá-lo a fazer atividades domésticas e coisas como “discutir a relação”.
Os comerciais tratam os homens como retardados mentais e reforçam o papel da mulher dentro de casa: é você que tem que limpar, porque ele é inútil. Quem quer se alongar no já manjado costume de tratar homem desse jeito, encontra aqui uma análise ótima da professora Lola Aronovich.

Contra a neura da limpeza

Não existe nada mais irritante que os comerciais de produtos de limpeza. Se a gente vive num mundo tão incrivelmente desenvolvido, se há homens que moram sozinhos, se há homens que moram com outros homens,  se há homens que fazem sua parte, por que será que até hoje absolutamente todos os comerciais que eu vejo que envolvem produtos de limpeza (seja para limpar o carpete, o banheiro ou lavar a roupa) são direcionados para mulheres?  Cuidado com a neura da limpeza (e com uma dezena de outros que a gente pode citar nesse sentido): ela está no fundo dizendo às mulheres que são elas que têm a função de limpar.
p.s. E um pedido aos publicitários: vamos ser mais criativos, vai?

Mães aos 16

Acabei de assistir um episódio de Grávida aos 16, que em inglês é Teen Mom. É como um reality em forma de documentário que acompanha a vida de algumas garotas americanas que ficaram grávidas aos 16 anos. Elas têm histórias de vida diferentes e tomaram decisões diferentes em relação aos filhos. Uma delas vive tentando manter sua vida social e deixa o bebê um pouco de lado, outra entregou o filho para adoção, outras duas batalham para tentar trabalhar, estudar e manter seus relacionametos com o pai das crianças. É muito legal que a MTV, assistida especialmente por adolescentes, coloque um programa como esse na programação. No site do canal, você consegue assistir todos os episódios que já passaram na íntegra. O que eu vi hoje é um reprise.
Grávida aos 16. Segundas, 22h30.

Notícias de mulheres

Vi num comercial do Saturday Night Live, uma piada da humorista Tina Fey que me fez adorar o senso de humor dela. Fey é uma espécie de correspondente das mulheres no jornal de piada que eles fazem, o “Weekend Update”. O quadro dela é o “notícias de mulheres”.  Ela foi, aliás, a primeira mulher roteirista-chefe da história do programa. Hoje está também na série 30 Rock, que ela criou.

Disse a Tina, no tal episódio (é  o 18  da temporada 35) :
“Eu acho que nós todos concordamos que é um grande momento para ser uma mulher na America(…) São bons tempos. Você sabia que há quatro mulheres no espaço agora, pela primeira vez na história? E o sinal real de progresso é que ninguém se importa. Quatro mulheres no espaço. Vinte anos atrás isso só seria possível em um filme pornô.”